sábado, 30 de agosto de 2008

PAIXÃO

FOSSE

"Seria
pior
não
mais nem menos
indiferentemente mas tanto quanto"

(
Stéphane Mallarmé )

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

SEM TÍTULO


Suspiros.
Duas vontades...
a quatro mãos....
e pernas.
Um olhar...
um pedido.
Um não.
Um sim.
Para o corpo que estremeceu ...
o corpo que mereceu...
o corpo que perdeu...
o fôlego...
e me deu...
se dando...
tanto prazer.

( Cláudio de F. Barbosa )

terça-feira, 19 de agosto de 2008

AUSÊNCIA

" Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."

( Carlos Drummond de Andrade )

E por vezes sentimos a ausência, sem nunca a ter vivido...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

SEM SABER

"Queria provar...
O doce e o amargo da sua boca.
Os cheiros que emanam da sua pele.
O calor dos seus desejos.
Mas suas palavras...
Me fazem parar...
O meu querer...
Me leva até a você...
E o fel...
Fico sem traduzir...
Sem saber."

Lu@

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A LUA BRANCA

A lua branca
brilha no bosque.
De ramo em ramo,
parte uma voz que
vem da ramada.

Oh! bem-amada!

Reflete o lago,
como um espelho,
o perfil vago
do ermo salgueiro
que ao vento chora.

Sonhemos, é hora...

Como que desce
uma imprecisa
calma infinita
do firmamento
que a lua frisa.

É a hora indecisa...

( Paul Verlaine )

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

STOP BLUES

TENHO...

“Tenho pena e não respondo./Mas não tenho culpa enfim/ De que em mim não correspondo/ Ao outro que amaste em mim.///Cada um é muita gente./ Para mim sou quem me penso,/Para outros - cada um sente/O que julga, e é um erro...imenso///Ah, deixem-me sossegar./Não me sonhem nem me...outrem/.Se eu não me quero...encontrar,/Quererei que outros me...encontrem?”

(Fernando Pessoa)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

O TEU SEGREDO


O mundo diz-te alegre porque o riso
Desabrocha em tua boca, docemente
Como uma flor de luz! Meigo sorriso
Que na tua boca poisa alegremente!

Chama-te o mundo alegre. Ai, meu amor,
Só eu inda li bem nessa alegria!…
Também parece alegre a triste cor
Do sol, à tarde, ao despedir-se o dia!…

És triste; eu sei. Toda suavidade
Tão roxa, como é roxa uma saudade
É a tua alma, amor, cheia de mágoa.

Eu sei que és triste, sei. O meu olhar
Descobriu o segredo, que a cantar
Repoisa nos teus olhos rasos d’água!

(Florbela Espanca)

VAMOS DANÇAR ESSA?

EU...EU MESMO

Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
Ainda que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

( Álvaro de Campos )

domingo, 3 de agosto de 2008

TODOS OS DIAS



"Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei de fazer das minhas sensações.
Não sei o que hei de ser comigo sozinho.
Quero que ela me diga qualquer cousa para eu acordar de novo."
( Alberto Caeiro )

( ...quero que ele me diga qualquer coisa... )

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

APAGAR-ME


"Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme."

(Paulo Leminski )

TENHO FOME

"Tenho fome de tua boca, de tua voz, teu pêlo.... e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado, não me assusta o pão, a aurora me desequilibra busco o som liquido de teus pés no dia...Estou faminto de teu riso deslavado, de tuas mãos cor de furioso celeiro, tenho fome da pálida pedra de tuas unhas...quero comer tua pele como uma intacta amêndoa...Quero comer o raio queimado em tua beleza, o nariz soberano do arrogante rosto, quero comer a sombra fugáz de tuas pestanas... e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo, buscado-te! ...buscando teu coração ardente!!..."

( Pablo Neruda)